CDN Comunicação 06.12.2016

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Enquanto articulações de bastidor aquecem o óleo que tem fritado o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o presidente do Senado, Renan Calheiros, vive uma espécie de inferno astral. Na semana passada, foi desautorizado pelo plenário ao ser derrotado na tentativa de apressar a votação do pacote anticorrupção “deturpado” na Câmara. Depois, tornou-se réu no STF. E no domingo, foi o principal alvo das manifestações de apoio à Lava Jato. Sinaliza uma semana de sensibilidade para o presidente do Senado no momento que afunila o prazo de aprovação da PEC do teto dos gastos públicos na Casa.

Todo o governo Temer, por sinal, deve passar por mais uma semana de apertos. As atenções da mídia voltam-se para a reação do Planalto e a condução da articulação política para aprovar projetos prioritários do governo num Congresso exposto à ira dos primeiros protestos daqueles que apoiaram o impeachment.

Renan, em maior escala, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tornaram-se alvo de insatisfação “popular”. Parte dos parlamentares e da sociedade considera que Renan perdeu a legitimidade que sempre teve para conduzir votações dessa dimensão e virou bola da vez nos protestos. Alguns comentaristas políticos avaliam que ele já é o novo Eduardo Cunha e, portanto, seus dias à frente do Congresso estariam contados. Rodrigo Maia vê sua imagem ser desgastada após a descaracterização do pacote anticorrupção e no momento em que tenta encontrar uma forma legal de tornar-se elegível para um novo mandato como presidente da Casa no ano que vem.

As discussões sobre a sucessão no Senado e na Câmara, em eleições em fevereiro, já pautam conversas e articulações dos partidos. Ao mesmo tempo, os acordos com o Planalto, que têm garantido vitórias em votações importantes para o ajuste fiscal, tendem a ser revistos. É nesse quebra-cabeças que Michel Temer trabalha agora, com a preocupação de manter sua imagem “blindada” e, ao mesmo tempo, a base aliada unida em torno de sua liderança.

A semana deve marcar também novas especulações sobre espaços para o PSDB no governo. Temer assegura que Meirelles fica na Fazenda, mas porta-vozes tucanos reconhecem que a legenda pode ampliar sua presença na gestão. Outro grupo do partido, porém, prefere que Temer faça a lição de casa sem maior protagonismo do PSDB.

Há uma vaga importante aberta no Planalto. Temer ainda não decidiu quem será o substituto de Geddel Vieira Lima na Secretaria de Governo, responsável pela articulação política. A ideia inicial era dar tempo ao tempo e nomear o novo ministro no recesso parlamentar. Mas o persistente ambiente político conturbado pode fazer com o novo titular seja indicado já nesta semana. José Aníbal é um nome especulado.

Outra expectativa é pelo projeto de reforma da Previdência, prometido para ser apresentado a sindicalistas no final da tarde desta segunda-feira, com a presença de Renan e Rodrigo Maia.

Na Câmara, a pauta do plenário prevê a possibilidade de votação da MP que muda o currículo do ensino médio esta semana. No Senado, seguem pautados os projetos sobre abuso de autoridade e legalizando jogos de azar. No Congresso pode ser concluída também a votação dos destaques da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2017.

São aguardados, ainda, desdobramentos da delação da Odebrecht e da mais nova etapa da Lava Jato, que nesta manhã fez buscas e apreensões cujo alvo são o ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT/RS) e o ministro do TCU Vital do Rêgo Filho. Ambos são acusados de receber propina para impedir que a CPI da Petrobras de atingisse as empreiteiras.

Foto: Janede Araújo/Agência Senado

  • O boletim “Tendências da Semana” é um produto da área de Análise e Pesquisa da CDN Comunicação, que tem por objetivo alertar os clientes da agência para os fatos que devem marcar o noticiário.